12 MESES DE POE // MAIO 2017 - missmoon

12 MESES DE POE // MAIO 2017

by - maio 31, 2017

Hey, amigos!
Para o desafio #12mesesdepoe de maio foram separadas duas publicações clássicas do mestre Poe: O Gato Preto e O Corvo. Já começo esse post um pouco apreensiva, pois tanto já se falou do conto e do poema que é desnecessário até repetir o óbvio, afinal clássico é clássico. Isso, sobretudo, não quer dizer que não devemos ler e reler; pois é dessa essência que são feitos os clássicos, pra gente ter sempre à mão, explorando cada pedacinho, pois, certamente, eles vão se adequar a cada momento da nossa vida.

Como numa confissão, o narrador envia "uma carta" endereçada ao leitor contando que prevendo a própria morte para o dia seguinte, precisava aliviar a alma. Seu propósito imediato é descortinar diante do mundo "sucintamente e sem comentários" uma série de eventos nada mais do que domésticos. A partir disso, nos prepara para o que está por vir, pois o que para ele é Horror (em inicial maiúscula mesmo), para muitos parecerá mais barroco do que terríveis. 

Já começamos aí desconfiar desse cara que mais parece sofrer de esquizofrenia paranoide. Percebam que em todo texto há transtornos do pensamento que envolvem delírios e alucinações; distúrbios formais desses pensamentos (eles saltam de um tópico a outro, às vezes sem conexão aparente); alterações no comportamento e, principalmente, alterações no afeto. E ele pede que ignoremos tudo isso, porque tá tudo bem, sim. 

As quase 10 páginas - reli na edição da DarkSide - de um dos contos mais famosos de Poe, se não o mais famoso deles, conta, em primeira pessoa, a história de uma homem que desde criança era dócil e gentil, amante dos animais, e essas características o acompanham ao logo de seu vida inteira. Logo casa-se e é muito dedicado à casa, à esposa e a seus animais de estimação, permanecendo assim por longos anos. Até que tudo muda, de uma hora para outra, e aquele que era bom torna-se cada dia pior, tudo por causa da sua dependência do álcool. 

A primeira a sofrer suas intempéries é a esposa, que, amiga e companheira de anos, agora era negligenciada e maltratada, inclusive fisicamente. Depois são os animais que passam a experimentar sua fúria; os coelhos, os micos, o cachorro e por fim até Plutão, seu gato já velho, companheiro de anos, sofre os ataques, pois certa noite o homem apenas sentiu que o felino o evitava. A partir disso, ele passa a narrar, com detalhes, toda sorte de crueldades que faz com o animal e os desdobramentos são assustadores. 

Não é por acaso que, nesse livro, O Gato Preto está na sessão Narradores Homicidas. Com o desenrolar da história vemos um narrador-personagem perverso, egocêntrico e paranoico que tenta a todo tempo justificar seus instintos assassinos com o alcoolismo, possessão demoníaca e por fim e principalmente com o gato, o causador primaz de todos os seus infortúnios. 

Extremamente bem escrito, não há muito suspense nesse conto, porém as doses de horror fazem com que até o mais trevoso dos leitores se aterrorize, A cada página você pensa que as atrocidades não podem piorar, mas elas pioram. E a autoconfiança que ele demonstra ter desde o início se intensifica finalmente para a sua ruína. Ele está convencido de que está certo e nós, que estamos diante de tanta barbaridade, nos apiedemos de um psicopata que, no final, parece beirar a ingenuidade. Não é por acaso que esse se tornou um dos mais aclamados contos de Edgar Allan Poe. Ele é incrível!      


... Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o chão refletia
A sua última agonia.
Eu, ansioso pelo sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora.
E que ninguém chamará mais...
Mano, o que dizer desse poema? É tão lindo e tão dolorido. Para a tradução em português, temos duas versões ilustres: a de Machado de Assis (1883) e a de Fernando Pessoa (1924). Sou muito bairrista em dizer que prefiro 100 mil vezes a de Machado? Não, pois ela é a mais bela e que, ao meu ver, mais se aproxima da linguagem de Poe. Deixo acima os dois links para que você possa tirar suas próprias conclusões, caso ainda não conheça. 

Cheio de mecanismos métricos e fonéticos que conferem ao poema sua tão reconhecida musicalidade, é fato que qualquer tradução prejudicará o trabalho do poeta, principalmente em suas rimas como, por exemplo, Lenore e Nevermore. Leia o original The Raven aqui.

Enfim, O Corvo é o relato de um homem atormentado, saudoso de sua amada e delirante. O escuro da noite, o medo, a solidão, o sobrenatural e a morte são ingredientes perfeitos que unidos deram vida a mais uma obra prima-prima, ao mais aclamado dos poemas do Poe. Misterioso e aterrorizante, com o texto podemos conceber claramente a agonia que era ter essa ave batendo insistentemente à sua porta, trazendo maus presságios. É mesmo uma descrição fantástica!

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