PROJETO MAN IN BLACK: SEMANA 39 - missmoon

PROJETO MAN IN BLACK: SEMANA 39

by - novembro 26, 2017


Hey, amigos!
Chegamos a 1994, um ano marcante na carreira de Johnny Cash! Isso porque houve a apresentação no Festival de Glastonbury, ele e sua banda estavam na melhor forma. O show do Homem de Preto foi grande destaque. No início, é possível perceber que ele estava um tanto nervoso, pois já com 62 anos iria cantar para uma platéia totalmente nova e sua carreira não vinha de um grande momento, mas o que aconteceu foi surpreendente.

Em sua autobiografia ele escreveu sobre o seu desempenho e o quanto tinha ficado emocionado com a experiência. Muitos dos artistas presentes relatam que havia lágrimas em seu rosto quando ele saiu do palco. Para se ter uma ideia, algumas das atrações eram Rage Against The Machine, Björk, Radiohead, Blur, Oasis, Elvis Costello, Peter Gabriel... 1994 seria mais um divisor na carreira de Cash

Enquanto alguns pensavam que ele estava abalado por sua baixa popularidade, ele iniciava um dos momentos mais criativos da sua vida. Depois do período um tanto trevoso que foram os anos 80, John que já havia recebido, anteriormente,  um convite de Rick Rubin, produtor famoso por seu trabalho com jovens artistas do Hip Hop, aceitou o desafio de gravar um disco novo com ele. 

A ideia era gravar um álbum apenas com a voz poderosa e violão matador de Cash. As músicas escolhidas também foram tiradas de uma ampla mistura de gêneros. O álbum, que foi intitulado "American Recordings", se tornou um sucesso crítico, bem como comercial. Era o primeiro passo para retomar a visibilidade embora essa não fosse a intenção de John;  de mais a mais ele era uma lenda. Contudo foi inevitável, como veremos mais à frente nos próximos posts a carreira dele ganhará novos ares e com isso muitos fãs, especialmente os jovens.

Mas, voltando ao Festival, antes de Cash subir ao palco, a multidão foi recebida pelo bispo da Diocese de Bath and Wells, que teve um acolhimento um tanto morno no início, mas depois louvar a fé e o otimismo diante das adversidades de Johnny Cash ele conquistou os presentes recebendo calorosos gritos e aplausos.

É chegada a hora. Apesar de ser um veterano das estradas, alguns dos artistas daquele dia ficaram surpresos ao ver que John parecia ansioso, principalmente por não saber se a grande multidão, predominantemente jovem, gostaria de sua música. Mas, ele entra no palco, vestido de preto e com seu crucifixo no pescoço, lança sua icônica saudação "Hello, I'm Johnny Cash!" e prontamente emenda Folsom Prison Blues fazendo a platéia ir ao delírio. 

Após essa faixa, o set trazia "Get Rhythm", "Sunday Morning Coming Down", "Ring of Fire" e "I Guess Things Happen That Way".  A essa altura eles já tinha executado um terço do set e John estava claramente emocionado quando falou sobre estar naquele feztival, que "nunca imaginou tal recepção" da multidão e que sua intenção era de, no dia seguinte, "turistar" por lá a fim de visitar alguns dos lugares históricos da cidade (o local é famoso por lenda históricas como a do rei Arthur e a busca do Santo Graal, bem como por uma bela e antiga abadia). 

Nesse ponto, a banda saiu do palco e Cash cantou quatro músicas do álbum American Recordings: "Delia's Gone", "The Beast in Me", "Let the Train Blow the Whistle" e "Bird on the Wire", acompanhado por apenas o seu violão acústico. A banda então retornou para uma interpretação de "Big River", June também entrou para dividir os microfones com ele no clássico dueto de "Jackson".

"I booked Johnny Cash to play at Glastonbury in 1994. He was spellbinding, bloody brilliant,” “That was one of my best bookings of all time. This was when Johnny wasn’t nearly as fashionable as he was after ‘Hurt’. Some of the youngsters thought I’d gone crazy, as they believed I should be booking new stuff all the time. They thought he was just a daft old country singer. But he was so good. I can’t choose one song as my favourite, I’d have a shortlist of 100." // "Eu reservei o Johnny Cash para tocar em Glastonbury em 1994. Ele estava fascinante, excepcionalmente brilhante". Essa foi uma das minhas melhores reservas de todos os tempos. Foi quando Johnny não estava tão na moda quanto estava com 'Hurt'. Alguns dos jovens achavam que eu tinha ficado louco, porque acreditavam que deveria trazer apenas novidades o tempo inteiro. Eles achavam que ele era apenas um antigo cantor country. Mas ele era tão bom. Não posso escolher uma música como minha favorita, eu teria uma lista curta de umas 100."   – Michael Eavis (organizador do Festival de Glastonbury)
Ele era mesmo fascinante. Não havia quem ficasse indiferente a energia poderosa de Johnny Cash. Para fechar com chave de risos haha ele canta a divertida "Boy Named Sue

Quero deixar claro que não dei, nesse post, tanta ênfase ao início da parceria com Rubin nem ao disco Wanted Man, lançado no início daquele ano, pois Glastonbury é particularmente especial pra mim. A energia e o sentimento que Cash emana são indescritíveis. É incrível ver um cantor, com o poderio que ele tinha, se sentir inseguro, receando não ser acolhido pela pessoas. Isso só demonstra o quão humano ele era em sua essência; consciente de sua condição e humilde ao extremo. Quem o conheceu pessoalmente, ou através de seu legado, sabe do que eu estou falando. Ele era perfeito em sua imperfeição.



- DISCOGRAFIA 1994 - 

LP - Wanted Man, 01 de janeiro de 1994 (Mercury)
LP - American Recordings, 26 de abril de 1994 (American)

Para ouvir o disco American RecordingsYoutube
Para assistir o show em Glastonbury: Youtube (prestem atenção na carinha dele, na respiração 😊)
Para assistir a entrevista em Glastonbury (em inglês): Youtube (tem o finalzinho do show, ele agradecendo ao público, lindo demais! )

+ infos:
Sobre o projeto: https://goo.gl/Fa4YCx
Features news, discography, forum, chat, timeline, FAQ, pictures, merchandise, radio online and shop online | cash's official site: johnnycash.com 

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