PROJETO MAN IN BLACK // SEMANA 48 - missmoon

PROJETO MAN IN BLACK // SEMANA 48

by - dezembro 22, 2017


Hey, amigos!
Cheguei ao ano que não terminou. Particularmente, pra mim, é muito incompreensível a morte. É meio que inacreditável; ela tem algo de inimaginável por mais óbvia que seja.

Em 2003 eu ainda não havia entrado na faculdade, mas estava cheia de planos e sonhos. Tinha meu namoradinho, um emprego numa grande empresa, meus discos, livros, mal acessava a internet e andava pra cima e pra baixo com um walkman Aiwa e umas fitas K7 que iam de Cypress Hill a Oasis, subindo para Johnny Cash e Chico Buarque. Parece que foi ontem quando ouvi: "Morre o cantor Johnny Cash, o Homem de Preto". Num instante, ele já não estava mais aqui. Era 12 de setembro e por lá o outono já se aproximava.

"At my door the leaves are falling, a cold wild wind has come. Sweethearts walk by together and I still miss someone..." //  "À minha porta, as folhas estão caindo, um vento frio e selvagem chegou. Namorados caminham juntos e eu ainda sinto a falta de alguém..."                                                       — Trecho de I Still Someone, Johnny Cash.

Contudo, vamos voltar pro início desse ano fatídico. A saúde dele piorara, mas ainda havia muito trabalho a fazer, gravações pra finalizar, era mais um CD com Rubin. Atrelado a isso, colhia os frutos de um trabalho primoroso; em 23 de fevereiro de 2003 (três dias antes do seu aniversário de 71 anos) "Hurt" ganha o Grammy de melhor vídeo musical.

Três meses depois, em 15 de maio de 2003, morre June Carter, aos 73 anos. O que ninguém sabia é que ela tinha sido diagnosticada com um grave problema de coração, o qual não haveria cura e a mataria muito rapidamente; quando recebeu a notícia, ela decidiu manter segredo sobre o fato. A esposa de Cash foi sepultada em um caixão azul claro, sua cor favorita.

"Everyone I know goes away in the end..." // "Todos que  conheço vão embora no fim..."                                                                                          — Trecho de Hurt, Johnny Cash.

Em frente a igreja de Hendersonville, após o velório de June Carter
No mês seguinte, em junho de 2003, o vídeo de “Hurt” ainda repercutia e John foi homenageado no MTV Awards, porém sua devido a sua saúde frágil não pode comparecer à cerimônia. Já em 5 de julho, houve um evento para homenagear a Carter Family e mesmo se locomovendo por cadeiras de rodas ele conseguiu ir e realizar uma apresentação tocante, naquela que seria sua última aparição pública. Antes de cantar "Ring of Fire", Cash leu uma declaração para June, escrito por ele pouco antes de subir ao palco:

"O espírito de June Carter ofusca-me esta noite com o amor que ela tinha por mim e o amor que tenho por ela. Nos conectamos em algum lugar entre aqui e o céu. Ela veio para uma visita curta, acho que, do céu para me visitar hoje à noite para me dar coragem e inspiração, como ela sempre fez."

Mesmo devastado com a morte daquela a quem amou com paixão, ele não parou de trabalhar. Com Rubin ao seu lado, gravou cerca de 60 músicas que mais tarde, selecionadas, dariam corpo ao American V: Cundred Highways, o qual será lançado 3 anos mais tarde. Sobre esse período Rubin contou que "uma vez que June tinha falecido, a vontade dele era viver apenas o tempo suficiente para gravar e isso era praticamente tudo. Um dia depois da morte dela ele afirmou: "Preciso ter algo a fazer todos os dias. Caso contrário, não há razão para eu estar aqui.", finalizou. 

Em setembro daquele ano, a saúde de Cash piorou de forma irreversível e ele foi hospitalizado no Baptist Hospital, em Nashville. Nos dias que seriam os últimos de sua vida, mesmo sem quase enxergar nada, pediu instalassem um telão a fim de que a Bíblia fosse transmitida, em letras enormes, e assim pudesse lê-la. Nesse período falava para seus filhos o quão ansioso estava para ver o Paraíso, Deus e o restante de sua família. Para se ter uma ideia de como foi essa época, numa de suas últimas composições, a I Corinthians 15–55, temos no refrão parte do hino que conta a glória do Apóstolo Paulo antes da conclusão de sua primeira carta aos Coríntios:



“A morte foi absorvida na vitória. / Morte, onde está a tua vitória? / Morte, onde está o teu aguilhão?”

Em 12 de setembro de 2003 morria, aos 71 anos, Johnny R. Cash, vítima de complicações do diabetes. O mundo ficava menos black. O enterro aconteceu no dia 15, no mesmo local onde estava sepultado o corpo de June, no Hendersonville Memory Gardens, em Hendersonville, Tennessee. 


Daí em diante, os tributos e homenagens se tornaram constantes. As faixas que Cash gravou com Rubin, antes de morrer, foram sendo lançadas com o passar do tempo e no centro de Nashville foi erguido um museu que celebra a trajetória e a obra da sua vida. O Homem de Preto se tornara maior que a própria morte. Em novembro, recebeu uma homenagem póstuma nos prêmios anuais do CMA, ganhando o prêmio de melhor álbum para o American IV, melhor single e melhor vídeo.

Durante a carreira, Cash produziu quase 1.500 músicas e participou de mais de 470 álbuns tendo mais de 150 canções de sucesso, um número muito superior ao de qualquer artista na história da música pop. Sua importância até hoje é demonstrada pelo carinho dispensado por de diversos colegas do mundo fonográfico e, principalmente, dos fãs que conquistou por todo planeta.

Não houve lançamentos na discografia em 2003.

Para assistir sua última apresentação: Youtube
Para ler a matéria no site History sobre a morte dele: History
Para ler a matéria no site Folha de S. Paulo sobre a morte dele: Folha Ilustrada

+ infos:
Sobre o projeto: https://goo.gl/Fa4YCx
Features news, discography, forum, chat, timeline, FAQ, pictures, merchandise, radio online and shop online | cash's official site: johnnycash.com 

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