FASHION REVOLUTION : VOCÊ TEM MUITO A VER COM ISSO // CONSUMO CONSCIENTE - missmoon

FASHION REVOLUTION : VOCÊ TEM MUITO A VER COM ISSO // CONSUMO CONSCIENTE

by - abril 03, 2018

"O barulho da máquina preenchia a quietude da casa há dias. Era perene, contínuo, denunciava o desespero. Os pés pressionavam o pedal, trêmulos. O corpo da mulher doía, e a blusa larga que o cobria deixava à mostra os ossos salientes das costas. Eram duas horas da tarde e ainda não havia almoçado. As três meninas que trabalhavam com Silveria olhavam para a patroa com pena e medo. Não ousavam dizer mais nada. Já haviam insistido. ‘Você vai morrer se continuar trabalhando assim'."

Hey, amigos! Começo esse post com o trecho do livro Bienvenidos: história de bolivianos escravizados em São Paulo, de Susana Berbert, para falar do Fashion Revolution, um movimento criado por um conselho de líderes da indústria da moda sustentável mundial que se formou depois do desabamento do edifício Rana Plaza em Bangladesh, em 2013, onde funcionava uma fábrica de tecidos em condições deprimentes de trabalho e segurança e que resultou em 1.133 mortos e 2.500 feridos. 

Assim, surgia o Fashion Revolution Day, um dia para chamar atenção para a cadeia produtiva da moda com campanhas para conscientização sobre o real custo da indústria e seus impactos sociais e ambientais, mostrando ao mundo que a mudança é possível através do comprometimento em criar um futuro mais sustentável e com mais transparência.


E nós, os consumidores, como podemos ajudar nesta ação? 

Muito simples: começando por se questionar sobre "Quem fez minhas roupas?". Essa pergunta é fundamental para identificar  todo o processo de confecção; desde quem colheu o algodão até quem pregou o último botão na peça. Com essa simples atitude poderemos passar a consumir de forma consciente, comprando de marcas que estão comprovadamente de acordo com as normas de segurança, condições de trabalho dignas e utilizando insumos e práticas sustentáveis. Percebem o poder que temos nas mãos? É preciso se manifestar e ter empatia por trabalhadores que literalmente dão suas vidas para que possamos nos vestir. Então, pedir transparência e condições conscientes e sustentáveis na moda é a forma de parar essa indústria inescrupulosa e cruel.

A princípio parece meio distante e muito utópico, mas garanto que a cada pessoa impactada por essa ideia será mais um pessoa e mais uma pessoa. Por isso, faça sua parte!

Preciso mesmo de mais uma peça?

A gente sabe que a publicidade a todo tempo nos impulsiona a comprar, mesmo que não estejamos precisando. Quem trabalha com Moda, especialmente os influencers, muitas vezes precisa trazer novidades, estimulando as outras as pessoas a consumirem uma peça nova e indispensável. Acredite que não é bem assim e se pergunte sempre: realmente, eu preciso dessa peça? Como e por quanto tempo a usarei? Ela é durável de fato? E a mais importante: alguém precisou sofrer para que eu a tivesse?

Por fim, se você decidir por comprar algo novo, pesquise se a empresa fornece informações da sua produção e das condições de trabalho de quem confecciona as peças, se fiscaliza seus terceirizados e garante que sua cadeia produtiva não tem trabalho escravo e nem em condições precárias. Hoje em dia isso é muito fácil de fazer, a internet nos oferece todas essas informações! Sem contar que as empresas que colaboram para uma moda justa fazem questão de expor isso e de forma transparente apresentam todo o seu processo de produção.

Se você é o profissional e precisa fazer o seu trabalho de divulgação, escolha sempre prestigiar o pequeno produtor, aquele que, como costumamos dizer, não irá comprar mais uma casa de praia luxuosa, mais que fará a roda sustentável girar, pois é engajado com as causas sociais e protetor do mundo onde habita. Marcas locais são um bom começo.



Entendendo que nem sempre os preços do pequeno produtor são acessíveis (como citei nesse post) trago como opção para compras a C&A que tem preços acessíveis, mas consegue ir na  contramão das fast fashion, sendo certificada pelo Moda Livre (app que oferece ao consumidor, de forma ágil e rápida, informações sobre as marcas envolvidas em casos de trabalho escravo na indústria do vestuário nacional) e pelo Repórter Brasil (equipe fundada em 2001 por jornalistas e profissionais de outras áreas com o objetivo de fomentar a reflexão e ação sobre a violação aos direitos dos povos e trabalhadores no Brasil).

A cadeia de lojas é 100% livre de trabalho escravo e com transparência divulga todos os fornecedores que produzem suas peças. Além disso, a empresa já recicla a água da sua produção, utiliza algodão orgânico na produção das peças e tem várias nas coleções com a opção sustentável, que garante os materiais limpos utilizados na confecção.

Neste mês teremos a "Semana Fashion Revolution" que visa celebrar os trabalhadores da indústria da moda e relembrar o desastre da queda do Rana Plaza em Bangladesh citado no início do post. O evento deste ano traz como tema "5 anos após Rana Plaza." Trarei mais informações em breve!

São pequenas atitudes que podem colaborar e muito para o movimento Fashion Revolution. Posso contar com você para fazermos essa revolução?

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3 comentários

  1. Um evento muito interessante. Ainda não conhecia.
    Bom restante de semana!

    Jovem Jornalista
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    Instagram

    Até mais, Emerson Garcia

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  2. Eu ando a tentar reduzir o consumo de peças, antes comprava mais por impulso, agora pondero bem se lhe vou dar realmente uso ou não. Com pequenos passos chegamos a um consumo mais consciente.!

    beijinho
    The Midnight Effect / Instagram

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  3. Acho super importante termos a consciência de tudo por trás daquilo que consumimos, de que também somos responsáveis pela degradação do planeta se não privarmos pelo consumo consciente. Ótima postagem. Tenha um ótimo dia, beijos!

    Blog Paisagem de Janela
    www.paisagemdejanela.com

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