BUDAPESTE, DE CHICO BUARQUE // RESENHA - Missmoon

BUDAPESTE, DE CHICO BUARQUE // RESENHA

by - maio 16, 2016

Hey, amigos!
Engraçado, semana passada surgiu a notícia de um novo trecho da música "meu caro amigo", encontrada por Chico, num desses acasos, enquanto relia uma carta. Até comentei o fato na fanpage do blog (se ainda não curte, vai lá!) ressaltando que escrever é mesmo a arte cortar palavras, como bem disse nosso grande Drummond. Trago isso para falar desse livro que conta a história de um ghost-writer em crise. Pensando bem, com várias crises. 

De cara arrisco dizer que essa é uma daquelas obras que você vai amar ou detestar; não existe assim assim. Pra começar, a trama não segue uma lógica de tempo linear, fato que pra muita gente é péssimo, ora ele está no Rio, ora em Budapeste... Esse último local é dividido em duas cidades distintas: Buda e Peste, cada uma descrita de acordo com as impressões de José Costa, o nosso protagonista. Isso sem contar aquela coisa da falsa leveza da escrita do Chico Buarque.

A história gira em torno de José Costa que, pressionado por um sócio ambicioso, consegue terminar de escrever a biografia de um empresário alemão, podendo assim embarcar para Budapeste. Em sua jornada, enquanto enfrenta uma crise criativa e até mesmo existencial, ele se divide entre cidades, amores e livros. 

Ao desembarcar na capital húngara, conhece a patinadora Kriska, que mais lhe parece uma tábua de salvação na terra estrangeira  do que um amor de fato. A relação deles se aprofunda enquanto um se apóia no outro, pois o nosso protagonista enfrenta um perrengue no casamento com Vanda, mulher com quem tem um filho, "o menino" Joaquim, os quais deixará para traz na viagem; e Kriska, a patinadora, cuida sozinha de um filho adolescente, o Pisti, se desdobrando entre aulas particulares e um trabalho de meio período.

Há uma dualidade que permeia todo o livro (retratada com maestria na capa/contracapa). Budapeste e Rio de Janeiro. Húngaro e Português. Kriska e Vanda. Pisti e Joaquim. José Costa e Zsoze Kósta. Há uma dualidade também entre realidade e delírio, fato que deixa muita gente confusa como relação à trama. Houve quem tomasse por rebuscamento desnecessário, floreio e outras coisas que li em algumas críticas. O fato é que Budapeste está para todos, mas nem todos estão para Budapeste e isso é ok, sabe? 

Pra finalizar tem o desfecho surpreendente, fascinante, digno da literatura de Chico de Buarque e eu não poderia esperar nada diferente. A edição da Companhia das Letras é perfeita e me agradou muito, com um formato e um acabamento que facilitam e incentivam a leitura. É um livro curto, pra ser lido de uma vez só. Acostume a vista e o coração, não se perca nos longos parágrafos e não tenha problemas de ir e voltar, e de tornar a ir. Assim, você vai amar Budapeste tanto quanto eu.

You May Also Like

0 comentários

É muito bom ter você por aqui! Não deixe de compartilhar sua opinião comigo! ❤