12 MESES DE POE // MARÇO 2017 - Missmoon

12 MESES DE POE // MARÇO 2017

by - março 30, 2017

"Digamos, pois, que estou louco. Admito, pelo menos, que há duas distintas condições de minha existência mental: a condição duma razão lúcida, indiscutível, pertencente à memória de acontecimentos que formam a primeira época de minha vida, e uma condição de sombra e dúvida, relativa ao presente e à recordação que constitui a segunda grande era do meu ser. Portanto, acreditem no que irei contar do primeiro período, e, ao que eu irei relatar do tempo mais recente, dêem-lhe apenas o crédito que lhes merecer ou ponham tudo em dúvida; ou ainda, se não puderem duvidar, façam-se de Édipo diante do enigma." — ELEONORA, DE EDGAR ALLAN POE, 1842.

Hey, amigos!
Para março, mês em que celebramos o Dia Internacional da Mulher, tivemos selecionado o conto Eleonora e o poema Annabel Lee, esse último um dos mais famosos e aclamados de Poe. Fiquei muito feliz, pois deu tempo chegar o meu tão querido livro! Sim, já li o conto do mês em Medo Clássico: Edgar Allan Poe, Vol. 1, da Darkside Books. Quero abrir aqui o parentese para dizer o quanto estou encantada por esse livro. Tudo nele é perfeito; a diagramação, a capa, as ilustrações, tudo mesmo. Agora que já rasguei bastante seda, vamos às impressões desses escritos fabulosos!


Acho que, realmente, essa foi uma boa época para reler Eleonora. O amoroso e belo conto narra, em primeira pessoa, a história de um rapaz, sem nome, que tem cerca de 20 anos - quatro lustros - o qual divide morada com sua prima Eleonora e a mãe dela no "Vale da Relva Multicor". Mas que raios de nome é esse? Sim, tudo nessa publicação é exagerado. E lindo.

O tal vale é um lugar isolado e místico, cheio de flores com cores vivas e perfumes exuberantes, árvores fantásticas e um rio, nomeado "Rio Silente". Tudo é muito vivo, até que Eleonora, que tem então 15 anos - três lustros - adoece. Eles que estão apaixonados e juram amor eterno, veem esvair toda a vida que os cercavam pouco a pouco. É inegável o excesso de sentimentalismo  nesse conto, mas o que podemos tirar dele é mesmo de emocionar. Essa é uma história de perda, redenção, esperança, libertação e, sobretudo, AMOR. O amor na sua forma mais genuína! E Poe nos oferece uma final fantástico.

Muitos consideram a obra autobiográfica, já que ele foi casado com sua prima que adoece e morre ainda muito jovem.

Annaabel Lee — De 1849, esse é o último poema escrito por Poe e que não tinha sido publicado até pouco depois de sua morte, nesse mesmo ano. A história se passa, há muitos anos, em um "reino junto ao mar". Mesmo jovens, o amor que sentiam era de tal intensidade que até mesmo os anjos se ressentiam. Assim, o narrador acredita por obra deles a vida de Annabel foi extinta por meio de um vento que a gelou - provavelmente seus pulmões. Mesmo assim, esse amor é tão forte que se estende para além da sepultura, que vai além da vida e da morte, já que duas almas estão entrelaçadas para sempre. A cada noite, ele sonha com ela e vê o brilho de seus olhos nas estrelas. A cada noite ele se deita ao lado dela em sua tumba junto ao mar. Novamente, tudo aponta para um escrito tirado de suas vivências, de sua profunda dor por perder tão cedo aquela a quem tanto amou. Mesmo não sendo o meu favorito, admito que esse poema é mesmo incrível e merece toda a atenção que recebe.  
E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar. 
Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar. 
— ANNABEL LEE, DE EDGAR ALLAN POE, 1849.
Então, é isso! Espero que vocês tenham gostado das minhas impressões. Um beijo e até abril! 💜  

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