12 MESES DE POE // AGOSTO 2017 - Missmoon

12 MESES DE POE // AGOSTO 2017

by - agosto 30, 2017


Hey, amigos!
Para o mês de agosto o conto proposto pelo desafio #12mesesdepoe foi O Poço e o Pêndulo. Publicado em 1842, o texto retrata o julgamento de um homem que condenado pela inquisição é preso em uma espécie de calabouço, onde passa a sofrer inúmeras torturas físicas e psicológicas. Depois de uma sequência de perda de consciência, ele está atordoado e não sabe - ou não se recorda - de detalhes do aconteceu.
"De repente, uma idéia terrível acelerou violentamente o sangue em meu coração e, durante breve espaço, mergulhei de novo na insensibilidade. Ao recobrar os sentidos, pus-me logo de pé, a tremer convulsivamente. Alucinado, estendi os braços para o alto e em torno de mim, em todas as direções. Não senti nada. Não obstante, receava dar um passo, com medo de ver os meus movimentos impedidos pelos muros de um túmulo."
Assim, os poucos, ele vai organizando os pensamentos e se ambientando na tentativa de descobrir onde está. O relato é chocante. A cada detalhe, vamos tomando parte  do terror que envolve o nosso protagonista. Totalmente privado de luz o lugar é aterrorizante; tateando e usando técnicas de localização, em dado momento ele se depara com um poço e a forma como ele faz a descoberta da armadilha é surpreendente.

Porém, as atrocidades tramadas pelos inquisidores, para acabar com a vida do prisioneiro, não param por aí. Como conseguira escapar ileso do poço, foi, então, atado a uma espécie de lastro para que pudesse assistir a descida de um pêndulo que, com uma lâmina afiada em movimentos de vai-e-vem, estava direcionada ao seu coração. Era preciso prensar e agir rapidamente, sua vida estava literalmente no fio da navalha.
"Aqui, a multidão ímpia dos carrascos, insaciada, alimentou sua sede violenta de sangue inocente. Agora, salva a pátria, destruído o antro do crime, reinam a vida e a salvação onde reinava a cruel  morte."
Com uma ambientação mais que perfeita "O Poço e o Pêndulo" é uma trama eletrizante. Os algozes, ainda que ocultos, reforçam a sensação de desespero do prisioneiro. Há ainda a presença dos ratos, musgos e outras coisas desconhecidas para enfatizar o terror vivido na masmorra. O pêndulo, implacável, conta o tempo aumentando a apreensão do leitor.  Esse é sem dúvida um conto incrível com todos os elementos que fizeram dele um clássico das histórias de horror e mistério. 


O poema de agosto foi "Os Sinos". Dividido em quatros estrofes, nos são apresentados os sinos de prata, de ouro, de bronze e de ferro; e cada um deles lembra uma fase da nossa vida.

Para o primeiro, os de prata, ouvimos o seu tilintar que nos remete aos nossos tempos de criança:
Ouve... passa um trenó batendo o sino.
Claro, argentino,
Em tênue som de álacre  melodia,
Vai batendo a tinir e vibra e oscila,
Se agita e oscila pela noite fria.
Entanto no alto límpida cintila
A Via Láctea num fulgor divino,
E constelando o céu em luz palpita
Seguindo num deleite cristalino,
Em ritmo musical o tempo esquivo,
Que vai correndo fugitivo...
Quando ouvimos os sinos de ouro, segue-se o enlace do matrimônio e a atmosfera é de amor, sonho e esperança. A noiva de branco, o cravo na lapela. É a vida tomando sua forma:
Ouve... passa um noivado. Os sinos de ouro
Batem todos em coro,
E o tom sonoro de feliz agouro
Mil venturas vibrando prenuncia.
Vão pela noite, límpida e encantada,
Soltando ao vento um vento de alegria.
Em áureas notas liquida ressoa
Essa canção de amor, que no ar flutua,
Enquanto a noiva, contemplando a lua,
Sonha enlevada...
Os terceiros são os de bronze. Eles prenunciam os perigo da vida: fogo, escuridão, tragédias...
Ouve... é o sino de bronze. Toca a fogo
E ulula e brame em lúgubre regougo.
Em sua turbulência que terror
Se espalha num clamor!
na tormentosa noite despertando
Os ecos vêm, no bronze badalando.
No atropelo não pode modular
Nem compassar o som!
Brados vão em tumulto pelo ar,
Sem cadencia, nem tom,
Pedindo num clamor clemência ao fogo.
Mas a súplica é vã que é surdo o fogo.
E crepitando em salto.
Livre de todo o freio,
A chama vai, alto, alto, alto, mais alto,
Num resoluto anseio
De agora ou nunca mais ao céu chegar;
Enquanto os sinos a tocar,
A tocar, a dobrar,
Clamam num brado uníssono de dor,
Por fim, há os de ferro. É a vida seguindo seu curso. 
"...Pois em cada som saído da garganta enferrujada há um gemido!..."
Qual tipo de prenuncio você julga vir dessas últimas badaladas? Poe. Faltam palavras para descrever a genialidade desse homem. 

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