DESAFIO 12 MESES DE POE - SETEMBRO 2017

10/16/2017


Com um atraso considerável, está no ar o post sobre o desafio #12mesesdepoe de setembro. Como desafio tivemos o conto "O mistério de Marie Rogêt" e o poema "Os sonhos". A narrativa do primeiro conta a história de um crime ocorrido na cidade de Paris, por volta do fim do século XIX, em que uma jovem é assassinada e seu corpo jogado no Rio Sena. Seu desaparecimento causa uma enorme comoção, já que além de ser muito bonita era conhecida por sua doçura de espírito.

Com a falta de elucidação por parte da polícia, o detetive Auguste Dupin então decide investigar o crime por conta própria e, com informações de jornais da época, ele traça uma linha de raciocínio intrincada, mas muito convincente, onde acaba por receber apoio até mesmo das autoridades locais. A partir das conclusões obtidas por ele, a polícia chega, então, ao assassino. 

Um dos pontos interessantes é que Poe se baseou em um crime real, ocorrido na cidade de Nova York, em que uma jovem chamada Cecilia Maria Rogers desapareceu e foi assassinada de forma quase idêntica à personagem. Ele foi considerado tão bom em sua empreitada que inspirou Sir Arthur Conan Doyle na criação de seu personagem mais famoso, o Sherlock Holmes. Agatha Christi também foi influenciada literalmente. 

Se você não está familiarizado com estética de Edgar Allan Poe, recomendo que você não comece por esse conto. Comparado aos outros, esse é um texto extenso, com falas longas e por vezes complexas, o que pode ser cansativo alguns leitores. Começar por contos mais simples até chegar ao "Mistério de Marie Rogêt", pode ser o melhor caminho. 


Já o segundo, é "Sonhos" sobre os nossos desejos mais secretos que nos impulsionam fazendo com que encaremos o mundo e suas atrocidades. Esse poema é cheio de nostalgia que lembra o tempo de outrora, em que éramos felizes pelo simples fato de ser, sem preocupações ou dores, sem os monstros internos que vamos criando ao decorrer da nossa existência. Com quatro estrofes, ele é uma ode ao que passou e não volta mais. Deixo aqui as minhas duas favoritas:

Por uma vez, só uma… e essa hora ousada
Jamais posso eu esquecer (uma energia
Me tinha encantado)… houve uma brisa fria
Que desceu à noite e deixou, de abalada,
Sua forma em minha alma… ou o clarão
Da lua — quem sabe? — gelou o meu sono,
Ou os astros… ou o que fosse… esse sonho
Foi como o vento à noite… que passe então.
                            ****
Embora num só sonho… eu fui feliz,
Fui tão feliz… E eu amo essa tontura…
Sonhos! Que à vida dão tenaz matiz,
Ou propiciam a contenda obscura
Da símile face ao real — e à vista
Delirante trazem coisas mais formosas
Do Céu e do Amor (e são nossas conquistas!)
Do que jamais as teve a Esperança radiosa.
 É absolutamente uma descrição da minha vida. Viva a Poe!

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