PORQUE NÃO POSSO MAIS USAR SALTO - Hey, Missmoon

PORQUE NÃO POSSO MAIS USAR SALTO

by - outubro 12, 2017


Um dia desses, uma amiga me perguntou por quê eu não usava mais salto alto. Expliquei pra ela, contando que estava como uma limitação. Existia algo que me impedia de fazer determinadas coisas. Assim, surgiu a ideia desse post que pode, de repente, ajudar alguém que passa pelo mesmo problema. 

Na metade de 2015, tive zika e, um mês depois, a febre chikungunya. Da primeira, me recuperei sem grandes transtornos (graças a deusa, porque esse vírus mudou drasticamente a vida de muita gente com a microcefalia), mas da segunda, passados dois anos, ainda sinto as sequelas da doença.

Várias mulheres não usam salto alto, seja por não conseguir se equilibrar, por dores nas pernas ou nos pés, limitações sociais ou porquê não gostam mesmo. Não que isso seja a coisa mais importante do mundo, mas saber que algo atravessa sua vontade, é terrível. 

Deixa eu contar um pouquinho sobre mim… 

Pra quem gosta, um par de salto alto como scarpins, por exemplo, é sensacional. Só que ao invés de se sentir bem, usá-los pode virar pesadelo, pois vem dor, desconforto, ardência. Foi o que passou a acontecer comigo. Então, fui parando, até me dar conta de que mantive apenas uns dois pares, por puro apego. 

Desde que tive a doença mal conseguia trabalhar, com dores muito intensas que não melhoravam com analgésicos habituais como dipirona e paracetamol. Sinto dificuldade de andar, de pentear o cabelo, de tomar banho. Atividade física, então, é um martírio. Sempre gostei muito de caminhar e hoje me vejo limitada a pequenas distâncias. É horrível. Minha qualidade de vida caiu drasticamente, porque sinto dores terríveis na lombar. 

Acordo sentindo dor, dormência nas mãos, cãibras nas pernas, não durmo bem. E o pior disso tudo é não saber se ficarei bem. Ir à festas é sempre uma tensão, pois não aguento ficar em pé nem sentada por muito tempo. Até anéis é complicado usar, porque os dedos começam a inchar.
Pesquisadores afirmam que o vírus da febre chikungunya entrou no Brasil em julho de 2014, trazido por um brasileiro, um funcionário da construção civil que trabalha em Angola e veio visitar a família em Feira de Santana/BA.
Ainda sou bastante grata, pois há relatos de pessoas que perderam completamente os movimentos, mas não deixo de me entristecer por ver que minha vida mudou e que preciso me adaptar. 

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