DESAFIO 12 MESES DE POE - NOVEMBRO 17

11/25/2017


Hey, amigos!
Estamos chegando na reta final do desafio #12mesesdepoe que no próximo mês completa 2 anos de existência. Não sei se haverá um novo desafio em 2018 e mesmo que haja não estou bem certa se irei participar. Por Poe, com certeza já que esse é um incentivo, digamos assim, para ler esse autor tão fantástico e que é o meu favorito de todos. 

O que me decepcionou e me deixa desmotivada a participar, caso um novo desafio aconteça, é mesmo o engajamento, a discussão, a troca de ideias nos blogs participantes, pois acredito ser muito válido, afinal a gente tá junto num propósito e a energia que se forma acaba sendo desperdiçada, uma pena. Mas, vamos ao que interessa, o conto do mês!

A Carta Roubada

O breve mistério se inicia com o desaparecimento de uma correspondência importante na realeza, uma carta roubada que contém informações suficientes para abalar as estruturas de quem está no poder. Assim, o comissário de polícia é chamado e logo um suspeito é apresentado: o ministro. Ele é acusado de usar a carta para chantagear a corte, a fim de consegui o que desejava.

O comissário, experiente e destemido, resolve vasculhar a casa do suspeito porque acredita que ali está escondida a missiva denunciadora.  Livros, mesas, pés de cadeira, espelhos e outros locais inimagináveis são verificados, tudo ali seria um esconderijo perfeito, mas sem sucesso ele é obrigado a deixar o local. Assim, entra em cena o competente investigador Dupin, que estava em casa de boas, fumando e batendo um papo com um amigo, quando é surpreendido pela vista do comissário de polícia. Após ouvir a história aconselha uma nova busca na residência do ministro, porém novamente nada é encontrado; não há nenhum sinal da correspondência.

Surpreendendo a todos, Dupin informa que basta pagar por seus serviços que a carta será entregue. Ela está bem mais perto do que ele imaginam... A partir disso o que se segue a narrativa do trabalho brilhante do nosso detetive favorito.


Esse foi o primeiro conto que li de Poe e de cara me apaixonei pela escrita dele. Em A Carta Roubada o que está em jogo não são é ética e a moral; mas a inteligência e a habilidade que temos de ter em algumas situações da vida, pensar sempre antecipadamente. O conto é extremamente simples, mas não o confunda como simplório. Alguém por aí já disse que a genialidade está em fazer coisas complexas de forma simples e esse conto de Poe é a tradução literal dessa frase. Se você quer ler Edgar Allan Poe esse conto é uma ótima forma de começar.

Para Annie

Poe escreveu o poema "For Annie" para Nancy L. Heywood Richmond, seu amor platônico. Casada com Charles B. Richmond de Lowell,  foi na fazenda deles, em Westford, Poe ficaria, a convite do casal, para ensinar em Lowell; foi aqui que o relacionamento complicado se desenvolveu.
De todos os tormentos, o que mais amargura
cessou: o ardor terrível
da sede que tortura,
sede do rio naftálico
da Paixão vil e impura.
Oh! eu bebi de uma a′gua
que toda a sede cura!
 – 6ª estrofe 
Programado para ser publicado em 28 de abril de 1849, no jornal Flag of Our Union, For Annie chegou a ser descrito por Poe como "uma necessidade pura que o obrigava a escrever". Temendo sua publicação, consignaria "ao túmulo dos Capuletos" ou seja esquecida, ele enviou para Nathaniel Parker Willis para publicação no Home Journal no mesmo que enviou também para o Flag of Our Union. Ele chegou a considerar a melhor poesia que já escrevera.
E assim feliz repousa,
mergulhado em perene
sonho de lealdade
e da beleza de Annie,
mergulhado nas ondas
das longas tranças de Annie.
***
Ela beijou-me e, terna,
acariciar-me veio.
E eu caí, docemente,
a dormir no seu seio.
Dormi profundamente
sobre o céu de seu seio.
 – 11ª e 12ª estrofes 
Esse poema é, sem dúvida, uma preciosidade. Leia na íntegra: em inglês | em português 
E durmo em tal conforto,
agora no meu leito
(desse amor satisfeito)
que me acreditais morto.
E é tal o meu conforto
a repousar no leito
(seu amor no meu peito)
que me imaginais morto
e tremei, com trejeito
de quem contempla um morto.
 – Útima estrofe. 
Após a morte do marido, em 1873, Nancy Richmond mudaria oficialmente seu nome para Annie. Um grande monumento de granito foi erguido para Poe na histórica casa de Heywood em Westford, Massachusetts, onde ele ficou. Annie L. Richmond está enterrada em um cemitério de Lowell, Massachusetts, com o marido Charles.

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