PROJETO MAN IN BLACK // SEMANAS 40, 41 E 42

11/30/2017

Hey, amigos!
nesse post vou falar sobre a a carreira e a vida de Johnny Cash nos anos de 1995, 96 e 97. Como vocês podem perceber nessa foto, tirada em 1997, ele já está com a aparência bastante envelhecida; além disso aí ele já apresentava vários problemas de saúde que fizeram com que ele diminuísse bastante o número de shows e gravações. 

Em 1995, John seguia divulgando seu último trabalho, lançado no ano anterior, o American Recordings. Paralelo a isso, já vinha produzindo o seu novo álbum, também parceria com Rick Rubin, como seria até o final de sua carreira.

American Recordings, 1994.
Cash, Petty (falecido esse ano) e Rubin, 1996.
Como contei no post anterior, sob a supervisão de Rubin, Cash gravou o disco American Recordings em sua sala de estar, acompanhado apenas por seu violão. O álbum contou com covers de artistas contemporâneos selecionados pelo produtor, mesclados à grandes músicas de Johnny, e esse trabalho teve uma recepção tão boa que faturou nada mais nada menos que o Grammy de Melhor Álbum de Folk Contemporâneo, em 1995.

Começava assim uma década de elogios e sucesso comercial. Cash associou-se a Brooks & Dunn e juntos regravaram o clássico "Folsom Blues Prison" para o álbum "Red Hot + Country", produzido pela Red Hot Organization, sendo que todo o dinheiro arrecadado foi destinado ao combate da AIDS/HIV. No mesmo álbum, ele tocou  "Forever Young", sua música favorita de Bob Dylan. Nessa época ele já estava apresentando muitos tremores e perdendo o equilíbrio com facilidade. Aliado a isso, ele precisou fazer uma cirurgia na mandíbula - o trigésimo procedimento de sua vida - o que o impediu de cantar por esse período.

"Não quero ser gravar no seu selo e ser vendido para a cena musical alternativa ou para a platéia do rock 'n' roll", disse a Rick. "Não tenho ilusões sobre quem sou , sobre quantos anos tenho e sobre como pode ser difícil ter algo a ver com essas pessoas."
 – Johnny Cash nos conta, em sua autobiografia, como respondeu ao convite de Rick Rubin para gravar com ele. 

Porém, ele seguia firme. Em 1996, O Homem de Preto convocou Tom Petty and the Heartbreakers para fazer parte do seu trabalho com Rick, e juntos lançaram "Unchained", um álbum tão fascinante que irá ganhar o Grammy Melhor Álbum Country dois anos depois e Cash também vai arrematar um Lifetime Achievement Award Grammy (falarei mais sobre isso no próximo post). Além de sus próprias canções, o disco traz covers de Beck (Rowboat) e Soundgarden (Rusty Cage), artistas inimagináveis até então.


Capa de Unchained, 1996.
Ainda esse ano, depois das tonturas e tremores terem piorado significativamente, em 25 de outubro de 1996, em meio ao que foi seu último grande show da carreira, em Michigan, John sentiu-se mal e precisou interromper tudo, sendo internado com pneumonia, diabetes e uma crise nervosa. O quadro se agravou e ele entrou em coma. Mais uma vez as previsões eram as piores: os médicos não acreditavam que ele retornasse vivo pra casa. Mas, depois de doze dias, ele melhorou subitamente, sem explicação uma aparente. contudo, nesse momento, June havia organizado uma corrente de orações e aí estava a explicação; Deus o livrava mais uma vez.

Com tudo isso acontecendo, Unchained já estava pronto e era lançado em novembro de 1996, repetindo o sucesso do primeiro por essa gravadora. Contudo, depois de muitos exames, finalmente já sabiam o diagnóstico, Cash sofria da síndrome de Shy-Drager, uma doença rara semelhante ao Parkinson, só que mais agressivo, e que lhe daria apenas mais 18 meses de vida, se acordo com a ciência, é claro.

Estaria Johnny Cash acabado? Seu futuro seria reduzido a estar confinado em casa, destinado a toda sorte de sofrimento, com uma dor incessante na mandíbula, um refluxo severo, surdez do ouvido esquerdo, um glaucoma que o deixara parcialmente cego e uma asma crônica que obstruía cada vez mais seus pulmões e enfraquecendo dia a dia o que sua mãe chamou de "the gift" ("o dom" que era sua voz)?

A autobiografia, em parceria com Patrick Carr, que várias vezes citei ao longo desse projeto foi escrita nesse período sombrio; ele descreveu esse momento trevoso como:

“Como está , levanto pela manhã, e é um dia normal. Parece que está tudo bem, sinto que está bem, e eu estou me sentindo bem. Não estou assustado. (…) Eu simplesmente não tenho nenhum medo da morte. Não perdi um minuto de sono por isso. Estou verdadeiramente em paz comigo mesmo e com meu Deus. Aceito a doença porque é a vontade de Deus; é Ele trabalhando em minha vida. E quando Ele achar necessário me levar deste mundo, me reunirei com várias pessoas boas que não vejo faz tempo. Não me entenda errado: não quero morrer. Amo minha vida. Estou muito feliz.”

Em 1997, Johnny Cash emprestou sua voz para um especial do desenho animado The Simpsons, no episódio The Mysterious Voyage of Homer (a Misteriosa Viagem de Homer), representando "Space Coyote" (Coiote do Espaço), um animal místico que orienta Homer Simpson a ir em busca da sua espiritualidade. Esse episódio é maravilhoso, deixarei o link no final desse post.

Ele estava tão feliz que foi nesse momento que decidiu aceitar que fizessem um filme para contar a história de sua vida (que mais tarde conheceríamos como Walk The Line). E ele não parava de compor. 

- DISCOGRAFIA 96 - 
LP - Unchained, 05 de novembro de 1996 (American).

No final de sua autobiografia, afirmou:
“Estou gostando desses dias. Esta vida nova dentro de mim é inspiradora.”

Para assistir Marty Party, 1995 (Johnny Cash & The Tennessee Three): Youtube
Para assistir making of de Unchained: Youtube
Para ouvir Unchained (American II): Youtube
Cash vs. Music Row (em inglês): Youtube
Johnny Cash Live In Neenah Wi Pickard Theater, 1996: Youtube
Para assistir A Misteriosa Viagem de Homer (em inglês): Pixa Club

+ infos:
Sobre o projeto: https://goo.gl/Fa4YCx
Features news, discography, forum, chat, timeline, FAQ, pictures, merchandise, radio online and shop online | cash's official site: johnnycash.com 

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