PROJETO MAN IN BLACK // SEMANAS 49, 50 E 51 - Missmoon

PROJETO MAN IN BLACK // SEMANAS 49, 50 E 51

by - dezembro 27, 2017


Hey, amigos!
Cheguei aos anos de 2005, 2006 e 2010, penúltimo post do #projetomaninblack! Como mencionei no post anterior, dois anos após a morte de John, em 2005, os produtores de Johnny & June (Walk the Line), lançavam o filme que seria uma cinebiografia, mas sem o foco pretendido pelo biografado; definitivamente Deus não era o centro de tudo, ele perdera seu posto para June Carter.

Com Joaquin Phoenix (Johnny Cash) e Reese Witherspoon  (June Carter), excelentes por sinal, a produção tenta mostrar que a personalidade marginal e a infância tumultuada fizeram com que Cash entrasse em um caminho de auto-destruição, do qual apenas June Carter, o grande amor de sua vida, poderia salvá-lo. Mas, como diria Jack, vamos por partes.


A gente tá cansado de saber que um bom romance vende e vende muito. Então, já dá pra ter uma ideia do motivo de Deus ter sido tirado da trama. Contar a história de um amor arrebatador seria bem mais rentável e assim foi feito. Tanto é verdade que a película, dirigida por James Mangold, recebeu o Oscar de melhor atriz para Witherspoon e uma indicação de melhor ator para Joaquin Phoenix.

No filme vemos uma June dedicada e puritana que só aceitaria se relacionar com Cash caso ele se separasse e estivesse limpo das drogas, porém, o que tudo indica, é que não era bem assim. A esposa de Johnny Cash seria mesmo dissimulada e manipuladora como era sabido no meio fonográfico. Isso porque seu filho, John Carter Cash, em 2007 escreveria Ancorados no Amor: a Vida e o Legado de June Carter Cash  (Anchored in Love: an Intimate Portrait of June Carter Cash) para esclarecer alguma coisas.


No livro, ele relata a luta que seu pai travou contra as drogas por toda sua vida e revela, pela primeira vez, que sua mãe também consumia comprimidos em grande quantidade e com frequência sentia um medo paranoico de que seu terceiro marido fosse infiel também (Ué!?). Pra mim, isso é meio irônico, pois Vivian Liberto (que  no filme é retratado por uma atriz branca, a afirmava ter provas de que ela fora, sim, amante de seu marido enquanto eles ainda estavam casados. Ela chegou a afirmar que se arrependia de não ter lutado tanto quanto ela pelo que queria e que teria aberto mão de Cash muito facilmente. Mas, segue o baile que tem bem mais a ser revelado.

Com os pais viciados e as meias-irmãs indo pelo mesmo caminho, não surpreende que ele próprio também tenha acabado caindo nas drogas. Crescer ali não foi das coisas mais fáceis, pois mesmo cercado de luxo e regalias, a infância dele era marcada pelo medo constante de que seus pais se divorciassem. "Para quem via de fora, o casamento deles parecia uma união de conto de fadas, mas o fato é que o sofrimento continuou e se agravou ao longo dos anos", contou o escritor em uma entrevista na época do lançamento.

E ele nos fala ainda de muitos outros acontecimentos. Os problemas financeiros do casal na década de 1980 - quando a carreira de Johnny Cash passou por um período difícil -, os forçaram a se desfazer de jóias para conseguir pagar seus empregados. "O amor de meus pais um pelo outro durou a vida inteira deles", disse John Carter. "Eles não desistiram nunca. Aceitavam um ao outro totalmente, incondicionalmente."


Porém, às vezes, a maneira pela qual demonstravam isso não era tão poética. Em um incidente traumático ocorrido quando ainda tinha 10 anos, o menino, chorando muito, presenciou os pais brigando durante horas e horas. Enquanto Cash disparava insultos verbais - as brigas nunca chegaram em violência física -, sua mãe ameaçava deixá-lo de uma vez por todas. Depois de muito tempo, as discussão cessara e os dois o chamaram para lhe comunicar uma notícia. Ele já estava preparado para ouvir que iriam se divorciar, mas eles tinham decidido renovar seus votos de casamento.

O livro relata um ciclo interminável de experiências de quase morte de Cash, passagens por clínicas de reabilitação e intervenções diversas. "Meu pai nunca ficava violento, apenas ausente", disse John Carter Cash. "A mesma coisa aconteceu com minha mãe mais tarde." De acordo com ele, June era compulsiva, especialmente quando se tratava de gastar dinheiro.

No início dos anos 1990, ela passou a usar narcóticos sob receita médica e parou de falar em sentenças completas e começou a se isolar em seu mundo próprio. Perguntado sobre como seus pais se sentiriam se soubessem do livro, ele respondeu que eles ficariam felizes com a publicação, porque nunca queriam que nada fosse escondido.

Segundo ele, June viveu em negação dos vícios de seu marido, acreditando que o bom homem que ela amava sempre brilhante. Ela era compulsiva, especialmente quando se tratava de gastar dinheiro. Suas casas estavam sobrecarregadas com móveis maciços, grandes coleções de jantares, cerâmica, roupa de cama e talheres. Outros maridos podem cortar o cartão de crédito da sua esposa, mas Johnny Cash permitia que ela fosse assim.


Meu pai voltava para casa com pérolas e colocava-as em volta do pescoço dela", disse Cash. "Ele muitas vezes era o instigador de grandes compras desnecessárias". "O honesto é que meus pais queriam ajudar as pessoas. Isso é parte da minha responsabilidade, para continuar esse legado ", disse ele. "Espero que o ponto do livro seja um amor duradouro, mesmo que seja através de um longo sofrimento." Pois é.

Contudo, não foi apenas John Carter Cash a revelar o outro lado da história. Em Eu Andei na Linha - Minha Vida com Johnny Cash (I Walked the Line - My Life with Johnny Cash) Vivian traz uma crônica, em tom de primeiro amor, a fim de nos contar os segredos mantidos, as traição, o perdão e, finalmente, a verdade. O livro teve o apoio total de Johnny Cash, que insistiu que era hora dela contar sua versão dos fatos mesmo que isso significasse quaisquer revelações dolorosas, já que havia muitos mitos e contradições sobre a vida dele e de sua família que foram perpetuados por décadas no cinema e na literatura.

Assim, a primeira esposa do Homem de Preto expõe histórias que não eram histórias, incluindo o vício de droga de Johnny, sua vida familiar e detalhes do seu divórcio em 1968, bem como a verdade por trás da escrita de duas músicas mais famosas dele: "I Walk the Line" e "Ring of Fire".


Suplementado por um arquivo de cartas de amor e fotos de família, nunca antes publicadas "I Walked the Line" oferece uma visão mais profunda de um dos artistas mais importantes da história da música. Nele, é possível experimentar o extraordinário relato do amor e do desgosto entre Johnny e ela, e entender seu silêncio digno ao longo dos anos. Através desse livro elegante, revelador e poderoso, a voz de Vivian Cash foi finalmente ouvida.

Além dos livros citados, ele ainda recebia muitas homenagens; ente elas a música Til Kingdom Come, do álbum X&Y do Coldplay, lançado em 2005. A canção foi escrita especialmente para que ele interpretasse, contudo, ele morreu antes de ter a chance de entrar no estúdio. Ainda esse ano, a Matanza lançou o álbum To Hell With Johnny Cash, só com covers dele em ritmo hardcore para homenagear aquele que é uma grande influencia para a banda brasileira.

Em 4 de julho de 2006 fomos agraciados com American V: A Hundred Highways álbum póstumo, o qual teria sido o último de estúdio. Esse trabalho faturou o disco de ouro da RIAA por ter vendido 500 mil cópias. Para se ter uma ideia, em sua primeira semana, ele vendeu 88 mil e, somente nos Estados Unidos, vendeu 337 mil. A música Gods gonna Cut You Down ganhou um videoclipe com 36 artistas (todos vestidos de preto), fazendo uma homenagem tocante para o Homem de Preto.

Ainda em 2006, o quadrinista alemão Reinhard Kleist lançou Cash - I See a Darkness, biografia em quadrinhos de John, abrangendo as décadas de 1950 e 1960, mostrando o início da carreira do cantor. O livro recebeu diversos prêmios, dentre os quais o de Melhor Graphic Novel alemã, em 2008. Em outubro de 2009, o livro ganha sua edição em português, chamada Johnny Cash - Uma Biografia no Brasil, sendo lançada pela editora porto-alegrense 8INVERSO. 

Em 23 de Fevereiro de 2010 (três dias antes da data em que Cash faria 78 anos) saiu American VI: Ain't No Grave, que foi anunciado como sendo de fato as últimas gravações de Johnny Cash, as quais incluíam covers de Sheryl Crow e Claude Ely e músicas antes gravadas por Elvis Presley e Hank Snow. No próximo post, veremos que não será o último.

- DISCOGRAFIA 2006 -

LP - American V: A Hundred Highways, 04 de julho de 2006 (American Recordings)

- DISCOGRAFIA 2010 -

LP - American VI: Ain't No Grave, 23 de fevereiro de 2010 (American Recordings)

Para assistir o trailer de Johnny & June: Youtube
Para ouvir Til Kingdom Come (seguida de Ring of Fire): Youtube e Youtube (acoustic version)
Para ouvir To Hell with Johnny Cash: Youtube
Para ouvir American V: A Hundred Highway: Youtube
Para ouvir American VI: Ain't no Grave: Youtube
Para comprar Cash: Amazon
Para comprar Cash, uma Biografia: Amazon
Para comprar I Walked the Line - My Life with Johnny Cash, de Vivian Liberto: Amazon
Para comprar Anchored in Love: an Intimate Portrait of June Carter Cash, de John Carter Cash: Amazon


+ infos:
Sobre o projeto: https://goo.gl/Fa4YCx
Features news, discography, forum, chat, timeline, FAQ, pictures, merchandise, radio online and shop online | cash's official site: johnnycash.com 

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1 comentários

  1. Adorei conhecer mais dessa história. Está bem completa.
    Obrigado pela visita ao meu blog. Estarei sempre por aqui agora.
    Bom final de semana!

    Jovem Jornalista
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    Até mais, Emerson Garcia

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