CASH, A AUTOBIOGRAFIA DE JOHNNY CASH

agosto 14, 2018


CASH a autobiografia de Johnny Cash, dele com Patrick Carr, é um dos livros mais tocantes que li.  Para quem não o conhece sugiro ler o Projeto Man in Black, onde fiquei 1 ano escrevendo sobre a vida e a obra do Homem de Preto. Quando o projeto chegou ao fim, precisei dar um tempinho e digerir tudo. Sem contar que da metade dele em diante foi bastante difícil, 2017 já estava sendo um ano horrível e no segundo semestre tudo desmoronou de verdade.

E como há bastante tempo eu não falo de Johnny Cash e nem escrevo resenhas de livros, revolvi com esse post trazer as duas coisas! Então, essa semana reli essa biografia incrível que tem cerca de 265  páginas e mesmo sendo muito intensa tem uma fluidez impressionante o que deixa a leitura muito rápida (a primeira vez que li foi em 2015). Assim, agora deixo um pouco dessas impressões, tentando ser o mais objetiva possível, afinal é muito difícil não ser prolixa falando de quem se ama, não é mesmo?  

Logo nas primeiras páginas ele nos conta a origem do seu sobrenome, sua linhagem familiar (Cash era originalmente gaélico, escrito Caesche - a ortografia era anglicizada na Escócia do século 14) e "Johnny", Johnny R. seu nome real, viria  a se tornar John na Força Aérea). Depois, em diversas partes, Johnny Cash fala com precisão sobre cada detalhe de sua infância: os pais esforçados, os numerosos irmãos, os anos escolares, a dura perda de seu irmão mais velho e, também, a relação conturbada com o pai:

Fiquei com medo de dizer alguma coisa ao meu pai, mas Jack não tinha medo. Foi direto falar com ele: " A gente encontrou Jack Terry morto na vala".Papai olhou para ele e falou: "É, eu o matei. Não queria ter de contar a vocês, garotos, mas a gente não precisa de outro cachorro aqui." (...) Pensei que meu mundo tinha acabado naquela manhã, que nada era seguro, que a vida não era segura. Era uma coisa assustadora e demorou muito para que superasse isso. Foi uma ferida profunda que ficou em mim. (p. 200)  

Quando perdeu seu cachorro, um vira-lata encontrado no centro de Dyess, Johnny Cash tinha 5 anos. Embora seja uma biografia, CASH não segue uma ordem cronológica e esse relato vem quando no final do livro. O músico tem o charme da escrita de um contador de histórias e realmente parece que você está sentado com ele na varanda de sua em casa, em Cinnamom Hill, com vista para um pôr-do-sol jamaicano, na estrada em seu ônibus vendo as árvores passarem ou lá na casa de Dyess, tendo os campos de algodão diante dos olhos. Quando Cash começa a contar sobre seu vício por remédios, fica muito evidente sua culpa e tristeza ao ver os danos que isso causou a ele e aos que o cercavam. É aí que ele fala da sua tentativa de suicídio, na caverna em Chattanooga, Tennessee, quando não acreditava em mais nada e se sentia cada vez mais longe de Deus.

Estacionei meu jipe e comecei a rastejar; rastejei e rastejei até que, depois de duas ou três horas, as pilhas da minha lanterna acabaram e me deitei para morrer na escuridão completa. A falta de luz era apropriada porque naquele momento eu estava mais longe de Deus do que nunca. Minha separação Dele, a mais profunda e a mais devastadora dos vários tipos de solidão que experimentei ao longo dos anos, parecia enfim completa. (p.146/147) 






Porém, o que era para para ter um final tenebroso, terminou de forma surpreendente. Cash reencontrou sua fé cristã e a vontade de viver. Resolveu encarar um tratamento de reabilitação e cuidou de manter sua carreira. O público o amava e queria vê-lo cantar. Ele tinha "o dom" e precisava usá-lo. 

Quando subi ao palco e comecei "Cry, Cry, Cry" ou "Hey, Potter", vi as pessoas batendo palmas e cantando comigo. Cara, que emoção. Elas ouvem a minha música e gostam! Estou sozinho neste palco diante da plateia, que está emocionada. Acham que pertenço a este lugar como Faron Young ou Hank Williams. Que maravilha. (p. 68/69)

Nesse livro há um grande equilíbrio entre os relatos pessoais e profissionais. E é isso que justamente me me fascina nas autobiografias; essa capacidade de aproximar pessoas inatingíveis - ou que são apresentadas assim - dos seres humanos comuns. Saber que elas também tem momentos de fraqueza, de superação, dias bons e ruins. Que tem coisas dais quais se orgulham e coisas que preferiam que não tivesse acontecido.   

Com Vivian era mais difícil, como ainda é difícil pra mim contar isso agora. Muitas partes da minha vida são dolorosas de lembrar -  e este livro é duro para mim neste aspecto -, mas, como você deve imaginar é muito difícil falar sobre o meu primeiro casamento. Pedi perdão a Vivian e tentei reparar o dano que cometi, e hoje em dia não sinto nenhuma culpa quanto àqueles dias, então posso contar as histórias (nem sempre foi assim). Mas ainda me sinto resistindo. Antigas dores não morrem assim tão facilmente. (p.127)  

Para finalizar, se como eu você é um grande fã de Johnny Cash, certamente achará este livro fascinante. Se, ao contrário, e apenas fã de boa música e se interessa por uma história de vida incrível, ficará encantado ao descobrir um relato comovente e uma inspiração para os dias que virão.

Nessa autobiografia é como se Cash conversa sobre seus altos e baixos, as lutas e vitórias, conquistadas a duras penas, sobre as pessoas que o cercaram durante toda sua trajetória pessoal e profissional. Não há autocomiseração. Àquela altura da vida dele não havia espaço para piedade consigo mesmo. E é isso que faz desse título algo inesquecível.



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+ Review ➟ Uma Aventura no Sítio Errado: Salty Ness
+  Resenha #2: Livro "Pollyanna": Arte da Inspiração




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12 comentários

  1. Adorei a resenha. Parece ser um livro cheio de surpresas.
    Boa semana!

    Jovem Jornalista
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    Estamos de volta do hiatus!

    Até mais, Emerson Garcia

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  2. Nunca li livro de biografia, não é algo que me chame atenção. Mas sua resenha ta ótima, me parece ser uma boa leitura

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  3. Olá! Primeiro preciso enaltecer a beleza das suas fotografias, cada uma mais sensacional que a outra! Depois preciso dizer que amei sua resenha, muito bem escrita e nos deixa super empolgados a começar a leitura. Amei!

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  4. Vou indicar o livro para o meu namorado, ele adora ler biografias! Fora que Johnny Cash é o rei do country até hoje e a leitura deve valer a pena!

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    Respostas
    1. Indica, sim, Nath! Acredito que ele vai gostar. :)

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  5. Oi, tudo bem?
    Acredita que não conhecia Johnny Cash? Acabei de conhecê-lo por causa da sua postagem, confesso que biografias não são meu ponto forte, mas gostei da forma como você resenhou o livro.
    Tua resenha está bem completa e com uma qualidade muito boa.

    Beijos da Lua!
    Cantinho da Lua

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  6. Não sou muito fã de livros de biografia, não gosto desse tipo de leitura, mas esse livro me parece ser bem interessante!

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  7. Eu não o conheço como pessoa é nem como musico, ao contrario da minha mãe que adora a musica. Mesmo assim sempre gostei de ler biografias de pessoas famosas, justamente pelo o que voce falou, pelos altos e baixos, percebemos que sao gente como a gente ne? Vou recomendar o livro para a minha mae, com certeza ela irá adorar!

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  8. Eu não o conheço, já tinha ouvido falar, mas não associei.. lendo o seu texto pude perceber que quero muito ler esse livro e eu não gosto de biografias, olha só?! Hahahaha
    Gostei muito da sua escrita! Parabéns... não só pela resenha.

    http://coracaodepedrasqn.blogspot.com

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  9. Olaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
    Não conhecia, mas achei bem interessante <3
    Beijokitaz






    www.devaneiosdemissl.com

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  10. Oii!
    Conheço Johnny Cash, mas este livro nunca li! Agora até fiquei com vontade de ler!
    Adorei o post ♡
    Beijocas ♡

    Salty Ness | Instagram

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